sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Atos políticos

Período eleitoral, me parece momento apropriado para levantar tais questões. Segundo o conceito Política denomina arte ou ciência da organização, direção e administração. Ora, então nossos atos adminsitrativos, organizacionais são sim atos políticos, e como tal, somos sujeitos políticos. Políticos de atuação, quando gerenciamos nossa casa, nossa profissão, ao tomarmos atitudes de mediação na sala de aula, nos grupos sociais como um todo dos quais participamos. Por que refiro-me a isso? Com certeza, em época eleitoral ouvimos muito de pessoas que os cercam que odeiam politica, não querem se envolver, e só votam porque é obrigatório.
A politica confundiu-se com atos políticos amorais, corruptos e que fizeram cair no senso comum que tudo que envolve o processo democrático em nosso país é envolto em sujeira. Não quero aqui levantar bandeiras, sabemos todos que já estamos calejados de escândalos envolvendo pessoas públicas, nossos representantes eleitos que no poder só agem em causa própria, e em muitas vezes ilegalemente. Quero apenas sublinhar a relação que a educação tem como o ato político em si, no fato de ser reflexivo, de se buscar o posicionamento, o conhecimento de questões que envolvem o viver em sociedade, baseado em regras, em sanções, em hierarquias, em democracia!
Democracia é escolha de maioria, é respeito à diversidade, é inclusão, é discussão e defesa de seus pontos de vista, é se colocar frente aos grupos e defender o que pensa ser correto, é ter ética, é saber ouvir e poder falar.
Minha postagem específica em 2008 trazia as questões democráticas na escola, e hoje, ratifico que apesar de necessária, mais ainda, fundamental, ela é sim trabalhosa! Não é a toa que ainda há regimes tiranos e autoritários, a base do pode e não pode de acordo com as minorias.
Penso que é na escola que devemos seduzir nossos alunos, no sentido de transmitir e encantá-los com as possibilidades que uma sociedade democrática tem. A escolha implica em empoderamento, em responsabilização, ela é diretio e dever! Nós, em nossas salas de aula estamos prontas para desenvolver um trabalho desse tipo? Nossas concepções estão de acordo com estes princípios de igualdade, inclusão e novos paradigmas na sociedade ou estamos apenas reproduzindo modelos?
É preciso pensar!!!!

Sonhar... o primeiro passo para realizar

Voltar ao blog no período de 2007, não deixa de ser uma terapia para nos dar mais gás para esse término de curso. A postagem sobre Sonhos,foi perfeita e inspiradora. Deparei-me com ricas reflexões das colegas que manifestaram sua opinião sobre a importância de um ideal em nossas vidas. Hoje nosso sonho é quase real... Daqui a poucos meses seremos pedagogas, é um momento! Uma efetiva comemoração a nossa colação de grau, porém penso que o caminho percorrido foi o de mais belo e mais gratificante. Não teria significado nenhum, se não tivéssemos percorrido esses nove semestres, pensando e agindo em torno de algo muito grande que é a educação. Nossa formação se dá no campo da pesquisa, da ação, da reflexão, mas o melhor de tudo é que agimos na perspectiva de uma mudança, de uma melhor sociedade para todaos nós, pautada no conhecimento, na construção ética de uma coletividade mais justa!
Somos nós os pilares, somos nós que mediamos esses saberes. fomos nós que aprendemos muito!
Perto do dia das crianças, nada mais providencial que citar uma postagem da interdisciplina de Ludicidade, onde voltamos nosso olhar para o jogo, para o imaginário, para a construção do eu através das representações, do sonho, do desejo.

Encerro esta postagem da mesma forma que a que faço referência e digo que nesse momento ela tem muito mais peso, muito mais forma!
"Um bom sonho a todas! Que possamos juntos fazer do caminho em busca da realização deste nosso sonho coletivo, um caminho solidário partilhando o aprender......."

domingo, 19 de setembro de 2010

Análise postagens semestres iniciais I

Busquei minhas postagens iniciais do blog em meu portfólio de aprendizagens e percebi a preocupação em evidenciar uma prática com meus alunos que tivera sido significativa para mim enquanto aluna e que identifiquei se relevante para ser multiplicada com meus alunos. É uma atividade de expressão corporal que fora bem aceita no grupo, e para minha turma não foi diferente, os alunos envolveram-se positivamente. Essa realmente é um atividade que merece ser destacada, pois antes do Pead uma das minhas maiores dificuldades era trabalhar essas questões de corporeidade, da expressão corporal, de ritmos, toques, a integração como um todo.
Foi durante a Interdisciplina de Teatro que percebi não tratar-se só de dramatizações, pequenas peças de teatro. Vi que as possibilidades iniciam no trabalho com o corpo, na maneira de se colocar, de se expressar, de trabalhar a oralidade, a integração com o grupo, e isso é trabalho para iniciar cedo. Vejo que quando os alunos chegam nas séries finais, muitas vezes lhes é cobrado uma postura de apresentação, de saber se colocar, opinar, ou seja, vencer a timidez, e a falta de prática de encarar um grupo. Depois, logo vem a procura de estágio, de emprego, onde essas exigências fazem parte, muitas entrevistas desse tipo, vem acompanhadas de técnicas, como essas e nossos alunos não foram trabalhados, desde as séries iniciais nesse sentido. Muito pelo contrário, a escola na maioria das vezes, freia essas atitudes.
Desenvolvendo práticas baseadas na expressão, em técnicas de apresentação, dramatização, defesa de idéias, discussões, seminários, estaremos capacitando nossos alunos para uma maior inserção na sociedade.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Primeiras considerações

Os livros de alfabetização atuais são muito distantes das velhas conhecidas cartilhas, antigos manuais com receitas prontas para ensinar a ler e escrever. Estas publicações vinham carregadas de exercícios repetitivos que visavam a aprendizagem pela repetição. As sequências didáticas iguais em todas as lições, não possibilitavam grandes inovações, tornando o trabalho com este guia enfadonho. De forma mecânica, apresentava tarefas de decodificação, acreditando estar criando sujeitos alfabetizados. Aos poucos foi abandonado pelos educadores que não partilhavam daquela metodologia. Com o avanço de práticas construtivistas, o mercado se viu impulsionado a criar didáticas a este fim, surgindo então livros de alfabetização com propostas mais interativas, com princípios construtivistas, estas novas publicações traziam variedade de gêneros e tipos de texto, focando em um trabalho da escrita como uma forma de inclusão e interação social. A nova “cartilha” se caracteriza por criar um
contexto em sala de aula mais democrático, onde o aluno além de ter mais autonomia, interage constantemente com o grupo.
Os exercícios passam a ser caminhos para que os alunos confirmem suas hipóteses de escrita e avancem no processo. Essa mediação proposta nos livros deve ser realizada pelo educador.

domingo, 29 de agosto de 2010

TCC

Ao iniciar mais um semestre (o último) do curso de Pedagogia EAD UFRGS, torna-se necessário, de uma forma mais evidente, rever a caminhada. Desta vez, após a prática de estágio, fazer uma busca reflexiva, de temas relacionados ao fazer em sala de aula e que ficaram salientes neste período. As interdisciplinas, as leituras, as trocas com os pares foram extremamente ricas e servirão de base para o estudo em meu Trabalho de Conclusão de Curso. Durante esses quatro anos tivemos a oportunidade de pensar em educação com a amplitude e conhecimento de educadoras, fomos intrumentalizadas e motivadas a quebrar alguns paradigmas, abandonarmos preconceitos. Como professora de séries iniciais, apaixonada pela alfabetização, encantada com as possibilidades durante o processo construtivo de leitura e escrita, busquei sempre variadas fontes de pesquisa, estudos sobre esse processo, leitura de artigos, presença em palestras. E aprendi que métodos e técnicas das mais variadas possíveis só terão sucesso com um educador disposto a utilizar-se do que tem e ampliar as possibilidades. A postura democrática e flexível de uma professor que busca atender a todos, que possiblita as mais variadas formas de ensinar e aprender, que reformula constantemente suas práticas.
Assim, o uso do livro didático já foi assunto de inúmeras discussões, com o avanço do PNLD (Plano Nacional do Livro Didático) a cada escolha novas opções analisadas nos fazem refletir sobre essa política pública e o próprio uso na sala de aula. Autores consagrados por suas pesquisas, são hoje organizadores de obras que buscam a máxima "unir a teoria com a prática"
Aqui neste espaço, irei socializar leituras e caminhos escolhidos para conhecer um pouco mais deste assunto, confirmar algumas hipóteses, assim como descobrir novos caminhos.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Reflexões "peadianas"

Esta semana foi bastante curta, e não posso deixar de registrar que a sensação de fim está começando, e esse fim me faz voltar lá no meu plano inicial enquanto estagiária e me fazer questionamentos em cima dos objetivos que me lancei. Meus objetivos enquanto professora realizando uma prática de estágio. Nosso curso diferente de muitos sempre foi focado na prática visto que todas já estávamos atuando com uma formação básica, mas todas com experiência de sala de aula. Então não foi só agora neste eixo que praticamos, reformulamos, resignificamos nossa atuação docente, isso foi um crescente. Hoje estamos registrando todas as nossas ações e procurando evidências “peadianas” talvez seja essa a maior diferença.

Quando escrevi em meu projeto de estágio: “A proposta é de desenvolver um trabalho focado na construção coletiva, na descoberta, no prazer do saber e do ensinar, levando meus alunos a uma construção significativa, em que realmente se sintam motivados a tentar, persistir e superar possíveis obstáculos.”

Vi que não fui utópica, embora a educação necessite de uma boa dose de utopia, que está sendo possível, diria até facilmente possível dividir esse sabor de aprender com meus alunos, e para isso não desenvolvi práticas mirabolantes, nem uso de tecnologias, como o computador pude utilizar-me. E mesmo assim estou conseguindo ampliar o horizonte deles e os meus, mostrar-me surpresa e contente com os seus relatos. E isso prova que material humano e vontade é capaz de mexer com a realidade e ajudar a transformá-la. Muitas vezes caímos em queixas e mais queixas, a de que ganhamos pouco, que trabalhamos muito, que a escola está tendo que ocupar outras funções, que os professores estão tendo carga dobrada, que os alunos estão sem limites, que ... que... queixas, queixas.

Deixamos de ver o quanto podemos num trabalho direcionado ao vamos fazer juntos, vai dar certo, o que de mais importante podemos fazer, apontar alguns caminhos. Durante meu simples projeto de trilhar com eles esse caminho de leitura e escrita, passando a perceber que o mundo letrado é enorme e cheio de possibilidades e quem escreve essas possibilidades são eles mesmos, estão sendo conscientizados e instrumentalizados para ir adiante em suas construções.

Ciente das palavras de Freire (1987 p.79 ) “Ninguém educa ninguém, ninguém se educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo." Não sou eu que darei receitas, passarei todas as informações, mostrarei o conhecimento que já foi descoberto, mas estão sendo capacitados a se informarem, a informarem os outros. Está sendo oportunizado mais do que formação a cidadãos, mas como fala Gramsci citado por Xavier (2000 p. 7) quando defende a possibilidade de estarmos formando futuros governantes, capazes de apresentar propostas para modificar a realidade e defendê-las consistentemente.



Referências:

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra. 1987.

XAVIER, Maria Luísa M. DALLA ZEN, Maria Isabel. (orgs.) Planejamento em destaque- Análises menos convencionais. Porto Alegre: Mediação, 2003.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Leitura

Uma das questões que voltei a pensar durante esta semana, é um dos tópicos que anos me passou despercebido. Foi então em trocas com colegas em um dos fóruns proporcionados pelo Pead, que me chamaram a atenção para o fato de que em sala de aula contemplamos muito pouco a leitura. Enquanto a escrita não falta a aula um dia sequer, a leitura muitas vezes é coadjuvante, claro que o ler é um constante, durante a apropriação das tarefas, nos enunciados, mas cito aqui a leitura como um momento propício de acesso às informações, possibilidade de interação diversificada, um espaço para o ler para o outro, a troca, a socilaização, e como diria Freire, realizando uma leitura de mundo, pois esta precede a palavra. Dessa forma, ler imagens, ler situações, ler livros, ler encartes, ler revistas, ler o que o outro escreveu, ler o que eu escrevi para o outro deveria ser rotina diária de qualquer sala de aula.

A partir desta tomada de consciência procurei inicialmente buscar em minha prática situações de leitura e incorporar ainda mais dentro dos meus objetivos. Ao rever minha rotina em sala de aula, identifiquei muitos momentos de leitura dirigida e praticamente nenhum de leitura livre. Era comum entre meus alunos quando acabavam determinada atividade pedirem para desenhar ou jogar, então iniciei a oferta de material para ler, que não se resumia a livrinhos, tinha sempre outros portadores, como o jornal, encartes, revistas, panfletos e outros. Até que destinei períodos de leitura individuais e posteriormente coletivos onde podiam ler algo que fosse significativo e quisessem dividir com a turma. A aceitação foi grande, esse era um momento bastante concorrido, sempre alguém tinha algo para socializar.

Agora, com esta turma, procurei já desde o início organizar bons momentos de leitura, seja a do jornal, dos próprios bilhetes que recebem, dos cartazes que são fixados na escola, de materiais que aparecem na sala, como cartazes de outras turmas e a leitura livre. Um bom trabalho de alfabetização e letramento precisa contemplar tais competências de compreensão e domínio da linguagemn que a leitura proporciona. Nesse sentido o texto de Bregunci (2006, p32) no Caderno de Práticas de Leitura e Escrita organizado pela Secretaria de Educação à Distância do MEC nos chama a atenção para a importância de organização de uma rotina escolar adequada, e não trata-se aqui de escolarizar a escrita e a leitura e sim de trazer a importância social destas para a sala de aula.



" O estabelecimento de rotinas diárias e semanais, capazes de oferecer ao professor um princípio organizador de seu trabalho, desde que atenda a dois critérios essenciais: a variedade e a sistematização. Uma rotina necessita, em primeiro lugar, propiciar diversificação de experiências e ampliação de contextos de aplicação. "




Trago esse trecho para aliar a questão da leitura como citada e de incorporar novas práticas, novas rotinas dentro de uma sistematização diária esendo para isso necessário estabelecer essas rotinas, analisar suas práticas para que sejam analisadas e avaliadas. as atividades estão de fato de acordo com meu objetivo principal? Dentro do meu plano há espaço para as diversas competências que estabeleci desenvolver?



Referências:

BREGUNCI. Maria das Graças de Castro. organizando as classes de alfabetização: processos e métodos. IN: MEC, SEAD. Práticas de Leitura e Escrita. Brasília: Ministério da Educação, 2006.